Monteiro lobato

    José Bento Monteiro Lobato – conhecido simplesmente como Monteiro Lobato – nasceu no dia 18 de abril de 1882 na cidade de Taubaté e foi um dos mais importantes escritores brasileiros, destacando-se na literatura infanto-juvenil. Formou-se em advocacia por imposição familiar, no entanto sua verdadeira paixão estava nas artes, pinturas, fotografias e no mundo da literatura.

        Quando criança sua paixão pelas letras era notável, passava horas lendo os livros escritos por seu avô Visconde de Tremembé e aos onze anos mudou seu nome de José Renato para José Bento, por motivos de herança. Mesmo reprovando nas matérias escolares, contribuía escrevendo crônicas para os jornais locais.

    Ainda jovem perdeu seu pai, o que o motivou a desenhar, desenvolvendo grande talento. Aos dezessete anos, já era reconhecido como caricaturista nutrindo assim seu sonho de ir à Escola de Belas Artes, porém seu avô considerava isso uma loucura. Contudo, Lobato já estava certo de que “Tudo é loucura ou sonho no começo. ”

     Em 1904, formou-se bacharel em Direito, logo após tornou-se promotor público e se casou. Pouco tempo depois, seu avô morreu e ele herdou a fazenda, na qual foi morar com sua família. Modernizou-a e obteve muito lucro, além de contribuir para o desenvolvimento de Taubaté. Escreveu um artigo de grande importância para o jornal paulista e logo começou a se envolver com política.

        Com o sonho de se tornar escritor, vendeu a propriedade e foi morar em São Paulo, escreveu crônicas de grande importância e, por um tempo, foi o único jornalista do jornal de São Paulo.

       Em 1918, comprou a Revista do Brasil e deu oportunidade para novos artistas, mas não deixou de escrever. O que o inspirava na época eram causas como o nacionalismo, usando, é claro, de muito sarcasmo.        Com o livro Urupês, seu primeiro personagem Jeca Tatu foi incrivelmente reconhecido, a popularidade fez com que Lobato publicasse, nesse mesmo ano, Cidades Mortas e Ideias de Jeca Tatu.

            Assim, a revista prosperou em suas mãos, e isso o levou a montar sua própria editora. Como ele mesmo dizia: "livro é sobremesa: tem que ser posto debaixo do nariz do freguês", não tardou em criar também uma distribuidora de seus livros. Logo fundou a editora Monteiro Lobato & Cia., depois chamada Companhia Editora Nacional.

     Tempo depois, publicou Negrinha e A Menina do Narizinho Arrebitado, sua primeira obra infantil, que deu origem à Lúcia, mais conhecida como a Narizinho do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Apaixonou-se por escrever para crianças, o que fez distribuir gratuitamente seus livros e dar continuidade, escrevendo Fábulas de Narizinho (1921), O Saci (1921), O Marquês de Rabicó (1922), A Caçada da Onça (1924), O Noivado de Narizinho (1924), Jeca Tatuzinho (1924) e O Garimpeiro do Rio das Garças (1924), entre outros.

         A partir daí, Lobato continuou escrevendo livros infantis de sucesso, especialmente com Narizinho e outros personagens, como Dona Benta, Pedrinho, Tia Nastácia, o boneco de sabugo de milho Visconde de Sabugosa e Emília, a boneca de pano. Monteiro Lobato pegou essa diversidade de personagens brasileiros e os enriqueceu, '"misturando-os" a personagens da literatura universal, da mitologia grega, dos quadrinhos e do cinema. Também foi pioneiro na literatura paradidática, ensinando história, geografia e matemática, de forma divertida.

       Monteiro Lobato além de escritor foi um grande empresário não só de suas editoras como também foi pioneiro na extração de petróleo e, logicamente, escreveu crônicas sobre isso e anos depois ingressou na Academia Paulista de Letras. Na época, Getúlio Vargas proibiu muitas de suas obras por causa de suas críticas, o que o motivou a criar a União Jornalística Brasileira, uma empresa destinada a redigir e distribuir notícias pelos jornais.

       Por conta da censura, tempo depois, recusou entrar para a Academia Brasileira de Letras e aproximou-se do movimento comunista. Também rejeitou a vida política, todavia, fez –se amigo de Luís Carlos Prestes. Tornou-se diretor do Instituto Cultural Brasil-URSS, porém afastou-se do cargo em setembro de 1945, quando foi levado para ser operado às pressas de um cisto no pulmão.

    Continuou a escrever e contribuiu muito para a arte do Brasil, compondo obras e apoiando a formação de artistas. Contudo, em 1948, veio a falecer vítima de um espasmo vascular. Recebeu diversas homenagens devido a sua grandiosidade, tendo a cidade com seu nome e foi reconhecido como um dos mais influentes escritores brasileiros pela Academia Brasileira de Letras. Em vida, ele honrou o que acreditava “Seja você mesmo, porque ou somos nós mesmos, ou não somos coisa nenhuma” e é uma das figuras mais importantes para nossa literatura e acima de tudo para a nossa identidade artística atual.

E-referência:

encurtador.com.br/PQYZ8