• Major Reformado pelo Ministério da Justiça

Pedro Lobo

    Pedro Lobo nasceu em 1931, num casebre de pau-a-pique em Natividade da Serra (SP). Teve uma infância muito pobre e, desde muito cedo, começou a trabalhar na roça com seus pais, José e Maria Francisca.

     Apesar da penúria, a família dos Lobo não parava de crescer. Todos sofriam com as enfermidades da época: coqueluche, malária, sarampo. Quando Pedro tinha 9 anos, sua mãe faleceu por causa de uma gravidez complicada. Dois anos depois, a família se mudou para a cidade vizinha, Caraguatatuba. Nessa nova cidade, Pedro teve a oportunidade de completar o Ensino Primário.

    Já mais crescido, durante o governo de Getúlio Vargas, trabalhando numa fazenda de bananas para exportação, Pedro começou a perceber a grande diferença entre patrões e empregados. Pedro via os europeus em casas de luxo, enquanto o povo brasileiro, trabalhando duro, vivia numa pobreza extrema. Aos 12 anos, Pedro viu um inglês humilhar um trabalhador brasileiro doente, e esse episódio marcou sua vida.

    Com 18 anos, resolveu migrar para o Mato Grosso atrás de uma vida melhor. Viajou com outros dois colegas até a cidade de São Vicente (SP). Sem dinheiro, quase se tornaram escravos pelo caminho. Pedro lutou, juntou dinheiro e conseguiu se estabelecer na cidade de São Paulo. Trabalhou como pedreiro nas obras para a construção da Cidade Universitária (USP). E, em 1955, ingressou na carreira militar como soldado raso da Força Pública (atual Polícia Militar).

    Em 1964, com o Golpe Militar, Pedro Lobo foi exonerado da Força Pública por ter frequentado os comícios do presidente João Goulart na Casa dos Sargentos. A partir de então, passou a lutar contra o regime ditatorial instaurado.

   Pedro Lobo participou da luta armada contra a Ditadura Civil Militar e foi membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

    Para saber mais sobre a história de Pedro Lobo: LAQUE, João Roberto. "Pedro e os lobos - os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano". Avae editorial. São Paulo. 2010

O Caipira, o Homem da Cidade e a Educação

 

    O marco zero da cidade de São José dos Campos encontra-se na praça Cônego João Marcondes Guimarães, no centro da cidade, onde está localizada a Igreja Matriz, erguida em 1934, no lugar de uma capela que desabou em 1831. Santana é o bairro mais antigo da cidade, seu desenvolvimento deu-se a partir da construção de sua igreja - Igreja de Santana.

    Outro local importante na cidade é o Sanatório Vicentina Aranha, antiga instituição para tratar tuberculosos, uma das primeiras com esse objetivo na cidade. Hoje é um parque arborizado, destinado ao lazer, práticas esportivas, eventos culturais. O parque também possui um acervo histórico e de preservação da memória de seus anos sanatoriais, com exposições permanentes.

Caraguatuba e as Experiências do Mato

 

    A partir da Rodovia dos Tamoios, Caraguatatuba é a primeira cidade litorânea localizada depois da Serra do Mar, fundada no ano de 1857 e, atualmente, com 485,097km². Hoje está entre os municípios mais populosos do Estado de São Paulo.

    Pedro Lobo refere-se à cidade de Caraguatatuba, entre os anos de 1940 a 1950, como uma simples vila litorânea, sem asfalto e, predominantemente, comercial, onde "todo mundo conhecia todo mundo". Muito diferente da cidade de Caraguatatuba atual, que conta com aproximadamente 111.500 habitantes, e apresenta uma infraestrutura para receber centenas de visitantes em todos os verões.

Natividade da Serra

 

    Natividade da Serra, cidade que pertence ao Vale do Paraíba (SP), foi fundada pelo Coronel José Lopes Figueira de Toledo em 1853. Segundo a tradição, esse coronel, perseguindo um escravo fugido, encontrou uma fascinante planície rodeada de montanhas e banhada por um rio (o Paraíba). Então, o coronel passou a explorar a região. Sua fazenda é hoje um bairro denominado Perobas. A agropecuária é, até os dias atuais, a principal atividade econômica em Natividade da Serra.

O Homem do Campo

 

    Apesar da construção da Cidade Universitária já estar prevista no projeto original da Universidade de São Paulo (USP) de 1934, apenas na década de 50 os prédios que receberiam as unidades começaram a ser construídos. Até 1952 somente os prédios das faculdades de Filosofia, Biologia e Botânica, a Reitoria e parte da Faculdade Medicina Veterinária estavam concluídos.

     Em 1956 o campus passou por um replanejamento, dando ênfase a funcionalidade, a racionalização e as novas propostas estéticas que caracterizaram a arquitetura, o urbanismo e a construção civil da década de 50. Após esse ano, a Cidade Universitária foi aos poucos se tornando o que ela é atualmente, passando, no final da década seguinte, a funcionar em sua totalidade.

    Hoje, a USP é o destino de muitos jovens do Vale do Paraíba, já que é uma das maiores universidades públicas próximas da região.

Cidadão Joseense

 

    São José dos Campos, na época da Ditadura Civil Militar (1964-1985), já era um grande polo industrial. Devido à presença do ITA e de outros institutos militares, ninguém poderia imaginar que na cidade existissem bases para as revoltas civis e “aparelhos” da guerrilha armada, como relata Pedro Lobo.

    Anos após o fim do período ditatorial no Brasil, a Câmara Municipal, junto à Comissão da Verdade, reconheceu diversas personalidades heroicas da época como cidadãos joseenses, pelo tempo que viveram em São José dos Campos e por sua luta pela democracia no Brasil.

Fotos durante a entrevista