revolução de 32 

   O Vale do Paraíba foi um dos principais palcos da Revolução Constitucionalista ou Revolução de 1932, uma vez que a região é o principal eixo de ligação entre os estados de São Paulo (estado mais rico do país na época) e Rio de Janeiro (então capital do Brasil), envolvidos no conflito. Dessa forma, a região vale paraibana era de vital importância estratégica para ambos os envolvidos. Cidades do Vale como Lorena, Guaratinguetá, Aparecida e Taubaté chegaram inclusive a montar batalhões a fim de fortalecer o exército paulista contra o do governo, situado no Rio de Janeiro.

     Todo problema iniciou-se a partir da insatisfação da velha oligarquia paulista com o governo de Getúlio Vargas, que tinha tomado o poder após o Golpe de Estado de 1930, assim depondo o presidente Washington Luís (um paulista) e impedindo a posse do seu sucessor Júlio Prestes (outro paulista), eleito pelo “voto do cabresto” em março de 1930. Isso somado à abolição da Constituição por Vargas, rejeição paulista dos novos interventores de estado (sendo que nenhum interventor era paulista) e o desejo dos paulistas por uma manutenção estatal que os favorecessem, como a antiga Constituição. O principal objetivo dos paulistas com a revolução era derrubar o governo de Vargas e convocar uma Assembleia Nacional Constituinte, pois Vargas governava desde 1930 sem Parlamento e sem Constituição.

     Neste cenário surgiram, em São Paulo, ondas de protestos liderados principalmente por estudantes universitários, sendo o grupo conhecido como Legião Revolucionária. Em uma das reuniões entre os membros da Legião, quatro jovens, - Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo – foram mortos em uma ofensiva de policiais do governo, o que originou o grupo revolucionário MMDC, cujo nome é em homenagem aos jovens mortos. Esse evento marcou o estopim para a revolta armada entre os estados.

Foi então que em 9 de julho de 1932, a MMDC toma iniciativa e de fato se rebela em um conflito armado contra o governo de Vargas. Uma guerra civil estourou entre SP e RJ. O movimento constitucionalista ganhou apoio popular e mobilizou 35 mil homens pelo lado dos paulistas, contra 100 mil soldados do governo Vargas.

    A população do Vale do Paraíba foi a que mais padeceu durante os combates em razão da sua localização geográfica. No Vale estavam concentradas a maior parte das tropas, tanto do governo federal, quanto do exército paulista.

Taubaté, por exemplo, uma das cidades mais influentes do Vale na Revolução, sofreu com as regras governamentais: soldados ocupavam suas ruas e havia toque de recolher. O prefeito controlava preços e estoques de alimentos públicos e particulares. Quase todos os prédios públicos estavam cedidos ao Comando de Guerra.

Foram quase três meses de batalhas sangrentas, encerradas em 2 de outubro daquele mesmo ano, com a rendição militar dos paulistas.                Apesar da derrota, a Revolução trouxe diversas consequências que, em vários aspectos, foram boas para os paulistas, dentre elas a convocação de um interventor paulista, em maio de 1933 uma nova Assembleia Constituinte foi aberta e em 1934 uma nova Constituição vigorava no país.

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Cartazes de convocação de voluntários para o combate

E-referência:

https://bit.ly/2zl4E3B